A Verdade a Respeito da Probabilidade

Inferir que sempre existe um ponto de partida as vezes pode ser um tanto quanto presunçoso. Da mesma forma, inferir que tudo sempre termina em algum lugar também é um absurdo. Mas, de fato, sabemos que pelo menos, um conjunto limitado de eventos parece aos nossos olhos ter um começo lógico. Mas esses mesmos eventos que parecem ter um começo lógico não possuem um fim em comum. O fim de cada evento lógico, ou evento que podemos tanger usando nossa limitação inteligível, parece nunca ser o mesmo para o determinado começo discutido. O que eu estou parafraseando de uma forma um tanto quanto desprendida de conceitos é nada mais nada menos que a teoria da probabilidade.

Estatística, gráficos, números, incerteza, dúvida, sorte. Essas são palavras que de fato não existem nos laboratórios da renomada N.S.Factory. Sabemos que um dos problemas da humanidade foi sempre a dúvida a respeito de eventos lógicos que ocorrem em um meio tangível de perspectivas. Há muitas perspectivas, entretanto sempre há um fim. Todavia a N.S.Factory diz: Faça a Sua Probabilidade.

Probabilidade em Ação!

Probabilidade em Ação!

Problemas de probabilidade sempre foram a cerne de todas as dúvidas da humanidade. A aleatoriedade, evento esse que aprecio muito, parece saltar aos olhos dos cientistas, tamanha a beleza que ela pode causar. Fórmulas foram criadas para se entender a aleatoriedade, muito tempo foi gasto na procura de um algoritmo aleatório perfeito. Mas a verdade é que, só a aleatoriedade é o que ela é. Tratemos a aleatoriedade como um ser. Um ser malandro, que sempre está brincando com os seus pesquisadores. Um ser que gosta de dificultar as cosias para os matemáticos, e um ser que o passo que pode lhe dar 200 respostas a eventos diferentes entre si, pode dar as mesmas 200 respostas de maneira idêntica. A aleatoriedade é o ser que esbofeteia os cientistas até eles pedirem arrego para tratar tudo de forma empírica. Eis ai a aleatoriedade.

Ninguém nunca gosta de eventos probabilísticos. Eles podem causar alguns desafetos entre os seres que habitam as mais longínquas galáxias. Sabíamos que a probabilidade de quando você entra em um ônibus e nesse ônibus não ter lugar para sentar, apesar de parecer a mesma para o lado positivo, sempre acabava em viagens e mais viagens em pé e ao lado de um pagodeiro irritante que não tem noção que as ondas geradas pelo seu aparelho de telefone portátil se propagam através do ar e chegam aos ouvidos das outras pessoas, mesmo que essas outras pessoas não queiram fazer parte do culto ao sapatinho frenético e descendo até o chão. A N.S.Factory sabia muito bem disso.

Contudo, não somente os cientistas por muitas vezes são enganados pelas teorias da probabilística. A probabilidade também assola a vida de simples mortais que nada tem haver com a teoria de Dempster-Shafer e a fuzzy logic. A verdade é que insistimos em acreditar que a probabilidade sempre está ao nosso favor, e isso, como Murphy já nos mostrou, é um equívoco colossal.

Um Modelo Bacana!

Um Modelo Bacana!

Não acredite que ao entrar em um ônibus haverá um lugar para você na janela, e que ninguém fedendo a peixe irá sentar do seu lado, e irá lhe perguntar por que hoje fez tanto calor. Não acredite que ao compilar um programa pela primeira vez ele vai rodar perfeitamente, e que nenhum erro de ponteiro, ou nenhum erro de tipos incompatíveis irá acontecer. Não pense que, ao chegar segunda feira no trabalho, sua mesa estará como você a deixou na sexta feira – sem nenhum papel, ou projeto em cima dela – esqueça, a probabilidade está aí para bater em você, para fazer você se sentir o pior dos seres baseados em carbono. A probabilidade não te ajuda, ela te joga no poço.

O mais legal de tudo isso é que tudo é culpa da aleatoriedade, que por sua vez não tem culpa por ser aleatória. Por vezes nos deparamos com algumas coisas que parecem ser boas. Achamos uma pequena fila nos supermercado. Olhamos para a esquerda, vemos filas com 10 pessoas, para o lado direito, 20 pessoas. A sua fila só tem duas pessoas. Você pensa, puxa vida hoje é meu dia de sorte. Entretanto a fila de 10 pessoas anda muito rápido, e se não bastasse a última pessoa da fila de 20 pessoas já foi atendida e você ainda está esperando o cara da frente assinar a nota do cartão de crédito. Bem vindo, meu caro, ao mundo real da probabilidade.

Como paliativo ao problema do ônibus a N.S.Factory criou um sistema altamente portátil chamado D.O.P (Difusor de Ondas Portátil). O D.O.P é capaz de embaraçar ondas sonoras advindas de emissores nada desejáveis. O D.O.P é um aparelho portátil, e sua ação é sobre o ambiente como um todo. Isso fez com que as pessoas que utilizam o D.O.P ajudem outras pessoas que não possuem essa bugiganga. Um efeito colateral visível, depois que esse dispositivo foi colocado a venda em Orion 5, foi o aumento substancial de venda de fones de ouvido para aparelhos de telefone portátil, juntamente com a queda de poluição sonora ambiente advinda desses emissores. Também foi possível notar um aumento substancial, nos primeiros 2 anos de distribuição, de brigas entre usuários da rede de transportes públicos de Orion 5, mas com um apoio do governo, a N.S.Factory continuou sua ação em prol de um bem maior.

A verdade é que, na teoria da probabilidade, nada é certo, apenas podemos inferir algo que realmente tem mais possibilidade de acontecer ou não acontecer, mas nada impede que a probabilidade haja de uma forma avessa a qualquer de nossas inferências. Há muito o que se discutir a respeito de eventos probabilísticos e suas muitas fórmulas para se determinar o comportamento deles. Mas algo que deve ficar claro é que, nada é o que parece ser até o momento em que se revela e se torna visível aos nossos olhos.

E pensando no bem estar social bem como no aumento das vendas de produtos da N.S.Factory, apresentamos o E.P.E.C (Estabilizador Probabilístico para Eventos Comuns). Utilizando-se da mais sofisticada lei da relatividade – aquela parte onde se diz que tudo é relativo – e fazendo uso da engenharia reversa da lei Murphy, os cientistas da N.S.Factory conseguiram produzir o magnífico E.P.E.C, o qual é capaz de inverter as ondas probabilísticas de eventos comuns aos quais estamos acostumados, de uma forma positiva para o utilizador. A galáxia Cabeça de Touro 3 foi usada como beta-tester da primeira versão do E.P.E.C, e os resultados foram os mais satisfatórios possíveis. Entretanto, o órgão que regulamentava os jogos de azar bem como os sorteios de prêmios federais precisou ser extintos, uma vez que não havia mais nada para se regulamentar.

Sobre Paulo Mendes

Eu acho que deveria escrever alguma coisa sobre mim aqui.


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COMENTÁRIOS

  1. DiegoR2 disse:

    Se o reverendo Bayes lesse isso, talvez desse boas gargalhadas, ou talvez se ofendesse pelo tratamento irreverente a obra que ajudou a erigir.

    Por outro lado, fiquei contente em reconhecer um par. Só que já escreveu na lingua odiada por Dijkstra sabe do suplício do “type mismatch”!

    E o “modelo bacana” deveria ter sido explicado melhor! É um caso particular do teorema central do limite.

  2. Paulo Mendes disse:

    @DiegoR2

    Coloquei Modelo Bacana propositalmente! E também porque não queria me ater a parte exatóide da discussão…tem bastante coisa a respeito do que se falar sobre probabilidade, mas eu deixaria, sem sombra de dúvidas, para o nosso matemático de plantão.

    De uma certa forma sabia que você iria curtir o tema ;)

  3. DiegoR2 disse:

    exatoide… parece um estudante de ciencias sociais falando…

  4. Paulo Mendes disse:

    Huhuahuahua, DiegoR2 está sendo convocado para uma reunião de redirecionamento de metas do site QueNerd. (brincadeira).
    Mas eu queria que você me ajudasse com essa parte, estudei um pouco, mas ainda não me sinto a vontade de falar a respeito de probabilidade com mais profundidade.

  5. Batista disse:

    >”e um ser que o passo que pode lhe dar 200 respostas a eventos diferentes entre si, pode dar as mesmas 200 respostas de maneira idêntica.”

    Essa frase me lembrou duma tirinha bem antiga do Dilbert, zoando com o gerador de números aleatórios do Debian:
    http://dilbert.com/strips/comic/2001-10-25/
    -”Nove, nove, nove, nove, nove, nove…”
    -”Você tem certeza que isso é aleatório?”
    -”Esse é o problema com a aleatoriedade… Você nunca sabe ao certo.”

  6. Batista disse:

    PS: Se eu pedir pra vocês jogarem “cara-ou-coroa” 200 vezes e anotarem os resultados ou forjarem manualmente 200 jogadas, posso checar com uma certeza enorme se os resultados são reais ou não. Seres humanos são *horríveis* pra gerarem números aleatórios.

    Em uma sequência de 200 jogadas, a probabilidade de saírem sequências de 6 ou mais resultados iguais (seis “caras” ou seis “coroas”) é muito grande. A maioria das pessoas que forjam os resultados iriam distribuir “cara” e “coroa” de modo uniforme, porque achariam que um “combo” muito grande de um mesmo lado da moeda seria improvável.

    Vocês podem testar com o Random.org: http://www.random.org/integers/?num=200&min=0&max=1&col=1&base=10&format=html&rnd=new
    (os “0″ sendo “cara”, e os “1″ sendo “coroa”, por exemplo)

  7. Diego disse:

    “posso checar com uma certeza enorme se os resultados são reais ou não”

    “Seres humanos são *horríveis* pra gerarem números aleatórios.”

    “A maioria das pessoas que forjam os resultados iriam distribuir “cara” e “coroa” de modo uniforme, ”

    http://xkcd.com/285/

  8. Jess disse:

    Também quero comprar meu DOP. Vcs dividem no visa?

    #prontoeuli Paulo Mendes. Hj é dia da minha vitória.

  9. Pingback: uberVU - social comments

  10. endim mawess disse:

    serve pra arranjar calcular probabilidade ne namoro em festas?

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