Passei 6h na Campus Party. Não pude ficar mais, porque tinham babies me esperando em casa. Mas valeu! Foram seis horas fantásticas, mágicas, para conhecer os nerds de hoje e me conhecer também.
Cheguei, primeiro, à conclusão que não posso mais ser considerado um nerd: ou minha data de validade tá vencida ou realmente nunca fui. Não consigo me imaginar passando dias dormindo em barracas e comendo noodles para ter acesso a uma internet rápida. Além disso, alguns alunos meus, enfurnados a dias naquele lugar gigante mas mesmo assim claustrofóbico, mostravam-se entusiamados porque o “XXXYYY” estava ali do lado e minha única reação era: “quem é o XXXYYYY?”
Depois, me descobri velho, porque realmente o nível de decibéis estava acima da minha capacidade de absorção. E olha que estou longe de ser aquele cara que gosta de silêncio. Sempre fui a shows, baladas, e sempre gostei. Hoje, tenho 3 filhos pequenos, duas delas meninas, e japinhas com seus gritinhos agudos, e você pode imaginar como deve ser a japinha de 4 e a de 2 brincando e gritando, muito alto e agudo, juntas, enquanto o terceiro chora! Também adoro música mais hard, rock e similares: o lendário disco “Cabeça Dinossauro” dos Titãs, que pode ser chamado de tudo, menos música suave, é presença certa no meu carro. Mas depois de 6h estava exausto daquela barulheira da Campus.
Mas foi muito bom ver aquele bando de nerds juntos, celebrando com orgulho sua nerdice! Nerdpride em sua versão mais radical. Entre pipocas e noodles, aqueles milhares de computadores com seus donos quase entrando nas telas (entrariam, se conseguissem). E aqueles bandos, doidos, em passeatas sem nexo, em roupões de banho, se divertindo de forma simples, singela, mostrando que a felicidade não depende de drogas ou de transgressões. Que os jovens conseguem ser felizes fazendo coisas interessantes, inteligentes, e com o apoio da tecnologia.
Foi bom ver jovens interessados em discutir comigo, trocando idéias e experiências sobre carreira (falo mais sobre isso em um post futuro). Foi bom contar para tanta gente que dá para ter aula de tecnologia, que seja bem educativa e bem divertida ao mesmo tempo (mas disso falo mais em outro post). E foi bom passar umas horas ao lado de alegres jovens nerd pride. Nerd que ainda não foi na campus party não é um nerd completo!












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Nunca fui na Campus Party (por pura falta de oportunidade de viajar até lá) mas tenho uma opinião um tanto diferente sobre esta abordagem, ainda que eu seja do tipo que também não sabe bem se é ou não nerd.
Quando penso em jovens que estão se divertindo com o conhecimento, com a tecnologia e sem se drogarem até a morte, nos tempos de hoje, eu vejo com bastante clareza isso como uma transgressão da sociedade que há. Hoje se tem uma expressão nerd bastante acentuada e isso é bacana pois se nota que há pessoas que gostam de ser inteligentes.
A sociedade, num aspecto geral, nunca valorizou a inteligência e não valoriza suas formas de expressão. Quase todas as crianças querem ser jogadoras disso ou daquilo, e quase ninguém quer ser um “cientista”. E é bacana ver estes “jovens transviados” exercendo este gosto pelo desenvolvimento intelectual.
Acredito que isto seja muito forte no Brasil, mas não é uma questão global.
E piorou depois do Lula, pois ele não apenas era semi-analfabeto (o que poderia ser por falta de oportunidades), mas tinha orgulho de falar isso.
Realmente, é revoltante ver que jovens achar que o futuro é ser modelo ou jogador de futebol. E é triste ver pais que não tentam mostrar que há caminhos melhores, talvez porque os pais também achem que esse é o melhor a fazer…
Mas nossa obrigação é mostrar que o mundo é diferente disso e que aprender sempre será algo positivo.