Dia difícil. Dias difíceis começam quando se acorda com o telefone tocando. Dias difíceis começam quando se atende ao telefone, seguindo-se as três opções seguintes: Primeira – é um engano. Segunda – é do banco. Terceira – Alguém morreu. Teríamos até uma quarta opção: quando se descobre que a pessoa que ligou para avisar que sua avó morreu, disca o número errado.
Documentos, cartório, máquina de xérox. É a cara da burocracia, com aquele olhar de peixe-morto. Autenticações, certidões, declarações. Enfim, um dia com acontecimentos monótonos, pessoas monótonas, visões monótonas, barulhos monótonos. O dia em que você se sente pobre por ter que gastar seus últimos vinte reais com cópias autenticadas.
Como todo bom pobre, segui até o ponto de ônibus. Cinco horas da tarde, e mesmo sendo inverno, o dia estava quente. Eis que a espera nem é tanta assim, afinal em bairro de pobre passa muito ônibus, pois a massa de gente pra ‘carregar’ é bem maior.
Horário de pico: Todo mundo saindo do trabalho e voltando pra casa. Incrível a diversidade no interior de um ônibus cheio: Você encontra todos os tipos, cheiros, cores, coisas, vozes, assuntos… Enfim, perdida por entre braços, sacolas e afins, lá estava eu e minha valiosa pastinha com cópias autenticadas.
É claro que nesse horário os assentos do ônibus estão ocupados. Muitas vezes por duas, três pessoas empilhadas. É, tá todo mundo feliz. Só minha cara não demonstra. Segue-se a viagem com as agradáveis freadas e vidros emperrados (sufoco!!!). Temos que tomar cuidado com a gripe suína, inclusive (e principalmente) nos ônibus.
Enfim, eis que para animar a festa, o indivíduo, no auge do bom senso e amor ao próximo, pega seu celulá novo em folha última geração com blutúf super ráitec pega ráudio tevelizão pograma da chucha tem joguin da cobrinha e grava emepetrêis dá pra ouvi com volume no úrtimo coloca um pagodinho… Aquele que ta bem na moda… Pra alegrar o povo no busão!
Enfim, me senti muito pobre. Veio uma tristeza, bem lá do fundo, sabe… O calor incomodando, os vinte reais que foram embora por causa de meia dúzia de papeizinhos, as súbitas e nauseantes freadas do ônibus, o assunto das comadres do lado… Ao fundo o som da furiosa música – euvôligapráelaevoudizê…
Não tenho absolutamente nada contra os pagodeiros, nem a música; muito pelo contrário, a gente até curte algumas vezes durante um churrasquinho… Aceitável, entende? Sou contra a situação.
Submeter as pessoas ao que você quer ouvir num momento tão desagradável, é uma atitude egoísta, Jow. É um bocado frustrante andar em ônibus cheio, não só para mim, mas para todas as pessoas que tiveram um dia corrido, de trabalho, que estão cansadas… E digamos que é um bocado irritante ouvir algo que você não gosta numa hora como essa. Seja pagodinho, funkzinho, sertanejo, rockzinho… Garanto que se cada um de nós mostrasse o gosto musical assim, muitos não gostariam nem um pouco.
Sabe aquela listinha de coisas que nunca se discute, nem se impõe? Futebol, religião… Acrescentaria o gosto musical a ela. Afinal, gosto não se discute; nem se mostra pra todo mundo no busão cheio.
Qual a solução para isso? Pedir para que os cobradores façam cara de maus quando alguém liga o sonzinho? Abolir celulares-prodígio? Pedir às empresas que comprem ônibus com rádio e fazer todo mundo ouvir musiquinha de elevador? Produzir uma bomba de pulso eletromagnético e utilizá-la quando a música de alguém não agradar? Distribuir fones de ouvido para as pessoas?
Sei que às vezes reclamo demais. Afinal, andar de ônibus é opção minha. Posso ir a pé, de bicicleta, comprar um carro… Porém em relação ao carro, o transporte coletivo é uma atitude mais ecológica. Mas enfim, quem liga pra isso hoje em dia, né?
Só me resta ter que fazer menos cópias autenticadas. Pois quem sabe assim posso juntar meu suado dinheirinho pra comprar um fusquinha…















Me identifiquei com a história por já ter passado por isso várias vezes e por andar bastante de onibus.
Mas o mais legal foi a ideia de ter seu próprio pulso eletromagnético generator. Genial. Pena que é capaz do onibus também parar porque precisa de eletricidade.
Os créditos são do Will!!! foi ele quem teve a idéia num dia desses no ônibus. Bem nerd o.O
Obrigada Will por ter me emprestado a idéia para o post ^^
Acho que todo mundo ja passou por uma situação dessa, as vezes da vontade de perguntar pro cara se ele sabe da mais nova tecnologia, o fone de ouvido! só que 100% das vez esses caras são tao mal encarados que é melhor ficar quieto hehe!
Faz que nem eu. Eu saco o MEU celular e coloco a música que eu quero tão alto como a do caboclo, se reclamarem (e já reclamaram) eu digo que só desligo se o cara desligar também, se um pode todos nós podemos!
Pior eu vi no metrô aqui no Rio. Aqui tem vagão especial para mulheres durante um certo horário, mas no correr das horas tem mulher que vai em vagão normal mesmo e neguinho não perdoa. Numa dessas a mulher reclamou e o cara safadão mandou: – Num tá gostando vai pro vagão das mulheres!
E assim caminha a humanidade…
Pois é, pois é, … Se nem um celular high-tech eu tenho, dirá um carro. Quando eu não estou gostando da música, eu canto junto. Certamente assim ele mudaria depois de 30 segundos do meu mais bélico dote musical.
Em são paulo, nos onibus têm placas para não utilizar aparelhos sonoros.
Eu odeio isso no onibus. Uma coisa que me deixou feliz foi saber que fones de ouvido com redutor de ruido realmente funcionam. Ainda nao é lá um pulso eletromagnético, mas resolve muito bem o meu problema. Ouço música baixa sem intereferencias externas.
Do mais, ta faltando consciencia das empresas em proibir isso, como o Anderson citou que há em sampa. Pros passageiros é complicado e às vezes arriscado pedir pro inconsequente desligar a música.
Ainda terei meu pulso eletromagnético. Paro até o onibus, mas detono todos os idiotas!
Podia ser feito igual no filme “Laranja Mecânica”… Só que ao invés de Mozard, o “tratamento” seria feito com pagode, axé, etc.
Obs: Esqueci que no filme a composição era a Nona Sinfonia de Beethoven… E aparentemente escrevi Mozart errado
Ah.. como sempre dizem.. “tem sempre alguem em pior situação que a sua!!”
quem dera eu pegar um individuo desses com musicas toscas no celular uma vez ou outra.. assim ja tava feliz! por mais stressante que foi meu dia..
mas como eu disse.. nao é bem assim..
moro em fortaleza, cidade do.. “forró” (uma m#$@), entao o que acontece?!?!
voce entra no busão.. lotado.. todo mundo bem “cheiroso”, suado.. enfim.. uma beleza.. e pra finalizar com chave de ouro o MOTORISTA!! com seu toca-fitas coloca aqueeeeeeeeeeeele forrozao bem alto no onibus.. ae nao tem como fugir.. todas as caixas de som do onibus a todo vapor, naquela musica bem bacana, tipo “senta que é de menta”, “chupa que é de uva”, “relaxa que é de borracha”, “rala a tcheca no chão” e assim vai…
ééé galera… sempre tem alguem mais lascado que você!!!
so queria saber se existe alguem mais lascado que eu! uhahuaua
mas.. assim vamos vivendo nesse brasilzao… nao vendo a hora de sair!
abracao galera
quando eu morava em Londrina, no Paraná, achava um absurdo: os onibus urbanos tenham música!!! e normalmente em canal sertanejo, ao gosto do motorista. Era de morrer…
Ah… esqueci de um detalhe..
Em fortaleza nao existe um.. digamos.. asfalto!!!
É SÓ BURACO (pra nao dizer crateras)!!! ae voces imaginam.. onibus lotado, musica altona e sacudindo para um lado e para o outro direto.. sem contar com o barulho do onibus querendo se desmontar.. auhahuuha
enfim.. é isso..
É por isso que eu comprei um carro e nunca mais espero andar de onibua na vida.
ônibus*
… todo bom paulistano que utiliza o tranporte público se não passou, passará por situação idêntica, é triste, há duas técnicas infalíveis, eu já utilizei a primeira e agora utilizo a segunda, a primeira: pega o seu telefone modernoso e coloca bem alto aquela música que provavelmente ninguém conhece e comece a cantar, se passa por doido, mas é infalível… eu colocava pra todo mundo ouvir The Drugs Don’t Work do The Verve e finalmente a segunda técnica, a que mais gosto, comprar um carro… vidros fechados, ar condicionado, som ambiente, banco confortável, e o melhor de tudo, sem nenhuma besta ao seu lado…
Aqui em Porto Alegre, acontece a mesma coisa. Sempre tem um imbecil qualquer q
Concluindo: Aqui em Porto Alegre sempre tem um imbecil qualquer que acha que os outros querem ouvir o mesmo que ele. Eu odeio andar de ônibus, mas às vezes não temos alternativa.
Agora mesmo vou ter que trocar o assoalho do meu Santana velho, antes que vire o carro dos Flintstones (hehehe) e vou ficar por volta de duas semanas de buzão. Já estou sofrendo por antecipação… Aff… Mesmo com todos os problemas que um carro velho pode provocar, ainda prefiro mil vezes andar com a minha tranqueira, mesmo sabendo que é uma atitude egoísta e NADA ecológica… Tento compensar isso sendo ecológico em todo o resto…
Nossa!!!! Obrigada pelo retorno, pessoal! E de fato, esse drama acontece com todos nós, das maneiras mais inusitadas…
Pessoal nunca posto comentarios.. mas este post merece..
achei q eu era o unico q me incomodava com isso
ta de parabens, e num eh reclamacao demais como vc disse no post.. eh o certo, eh um direito nosso q cobradores e motoristas permitem os outros tomarem.
Ja pensei em arranjar briga com esses tipos, mas seria brigar com um, descer do onibus e brigar com o proximo
Fico feliz de saber q no brasil ainda tem gente educada q sabe viver em sociedade
abs!
Tenho que andar de ônibus todos os dias para ir a escola, e até gosto quando colocam alguma música de vez em quando, pois enjoa ouvir todo santo dia as pessoas conversando, rindo, gritando. Mas um dia que eu não aguentei foi quando um menino colocou a música Créu para tocar repetitivamente. Tive que ouvir em todo o meu trajeto a ‘velocidade cinco da dança créu’, e percebi que muitas pessoas também não gostaram.
Por isso, sempre que estou no ônibus prefiro ouvir minhas músicas com o meu fone de ouvido, pois assim só eu ouço e nao encomodo ninguém.
Por falar nisso, estou adorando o Que Nerd!