Uma breve história do computador 2.0

Antes de qualquer coisa, veja aqui o primeiro artigo: Uma breve história do computador 1.0

Antiguidade II (Age of Empires)

De um hobby, a computação pessoal se tornou um negócio milionário. Os computadores deixaram de ser brinquedos para despertar a atenção de empresários que viram que era vantagem trocar a alta tecnologia do papel carbono e dos arquivos de metal por computadores.

A ideia parecia boa, mas não é qualquer um que consegue aprender a lidar com máquinas movidas a linha de comando. Para que mais pessoas usassem um computador sem serem nerds, elas precisariam entender como usar um computador. Como sabemos, se alguem não entende o que você está falando, nada melhor que mostrar um desenho:

Xerox Star, a primeira interface gráfica comercial. Fracassou miseravelmente.

No final da década de 70 e início de 80 o Xerox [W:PARC] era o principal berço de ideias para a computação. Conceitos como a interface gráfica, orientação a objetos e computação em rede foram desenvolvidos lá. A empresa não soube (ou não quis) investir nas invenções que apareceram neste laboratório de pesquisa e por isso os meros mortais só tiveram acesso a essas tecnologias anos depois através de outras empresas.

Lisa: Invented Stupid Acronym

Lisa: Invented Stupid Acronym

A Apple decidiu lançar o Lisa Office System, um computador feito para ser usado em escritório que não teve sucesso comercial devido ao seu alto preço para a época. Logo depois veio o Macintosh cujo projeto inicial de [W:Jef Raskin] era criar um computador barato e fácil de usar. Acabou por se tornar uma versão mais barata e melhorada do Lisa.

A International Business Machines, como seu próprio nome diz, não poderia ficar fora do mercado de computadores para empresas. Já oferecia soluções através de seus mainframes e maquinas de grande porte, mas agora iria mirar em médias empresas e nos escritórios. Os projetos dentro da IBM costumavam demorar anos para serem desenvolvidos devido a sua burocracia e exigência técnica.

Como não havia tempo a perder, foi criado um grupo especial para desenvolver o [W:PC] em alguns meses. Diferente de outros projetos, foi decidido que ao invés de criar todos os componentes dentro da IBM com tecnologia própria, seriam usadas peças disponíveis no mercado numa “arquitetura aberta”. Todos os componentes eram encontrados no mercado, exceto a [W:BIOS ], que mais tarde seria copiada pela Compaq dando origem aos clones IBM-PC, rodando o famigerado MS-DOS.

IBM-PC compatíveis

IBM-PC compatíveis

A imagem da IBM e a forte presença que ela tinha nas empresas garantiu o sucesso do IBM-PC. Durante o lançamento do primeiro Macintosh, Steve Jobs criou um cenário em que só havia duas opções de futuro para a [W:era da informação]: seguir com a IBM para um distópico futuro [W:orwelliano] ou garantir a liberdade com o Macintosh. Se a IBM vencesse, o mundo cairia nas trevas por duas décadas.

Hoje celebramos o primeiro glorioso aniversário da Diretiva de Purificação da informação! Nós criamos pela primeira vez em toda a história, um jardim de pura ideologia, onde cada trabalhador pode florescer seguro contra as pestes de verdades confusas e contraditórias. Nossa unificação de pensamento é a mais poderosa arma que qualquer frota ou exército da Terra. Nós somos um povo, com uma vontade, uma decisão, uma causa. Nossos inimigos os irão discutir entre eles até a morte e nós os enterraremos com suas próprias confusões! Nós triunfaremos!

Ao que sabemos, a profecia se cumpriu. Depois de lançar o Macintosh, sob a administração de John Sculley e o comando técnico de Jean-Louis Gassé, a Apple passou para uma estratégia mais conservadora, elevando os preços e lançando apenas melhorias incrementais sobre a plataforma Mac. Manteve tanto o hardware quanto software fechados, impedindo clones e, até certo ponto, dificultando a integração de periféricos.

Do lado PC, as máquinas e os sistemas evoluíram gradualmente até chegarmos ao Windows 95 e o processador Pentium, que alcançou os Macs em facilidade de uso e em certos aspectos técnicos supera o System Software da Apple da mesma época por ter multitarefa preemptiva (ainda praticamente sem memória protegida), enquanto este ainda usava multitarefa cooperativa. A grande questão é que agora toda essa tecnologia estava disponível a preço acessível e de forma mais fácil.

A era da computação pessoal e da produtividade chegava ao seu auge. A seguir (artigo 3.0), a compuação interpessoal e o digital hub.

Sobre Diego Ruggeri

Hanc marginis exiguitas non caperet


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COMENTÁRIOS

  1. Sir Will disse:

    Interessante, muita coisa desse texto eu não sabia. Nunca tinha ouvido falar no tal de Lisa nem do Xerox Parc.
    Muito bom Diego, ótimo post, ótimo mesmo!

  2. Paulo Mendes disse:

    Muito Bom mesmo DiegoR2. Gostei da parte : “e a IBM vencesse, o mundo cairia nas trevas por duas décadas.” Deu um tom muito interessante ao artigo hehehe.

    Esperando ansiosamente pela continuação.

  3. Edgard disse:

    Como sempre Diego traz coisas interessantes para enriquecermos nosso conhecimento

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