Por que o Twitter não é o novo Orkut?

Hoje reencontrei o artigo “Web 2.0 – O limiar entre a banalidade irreal e a lucidez verdadeira” e relendo-o comecei a lembrar de algumas coisas que pensei quando vi muitas pessoas criticando o Twitter. Some-se a isso o fato de que esse serviço aparecer no Fantástico não causou grande crescimento no número de usuários (assim eu previa), mas serviu apenas para o departamento de TI da empresa em que trabalho bloquear o acesso que até então era liberado.

Gostaria então de comentar uma conclusão que cheguei a respeito do twitter: ele ainda não é tão popular como o orkut (ou outras redes sociais) porque para ser um usuário ativo nele você precisa ter pelo menos alguma coisa para dizer. Alguma coisa que seja importante não só para o autor, mas que mostre que você é capaz de falar sobre coisas interessantes o suficiente para ser seguido.

Mesmo que sejam coisas interessantes sobre qualquer assunto ridículo. Mesmo que seja um assunto tão ridículo que só haja três pessoas no mundo interessados por ele. Se a pessoa não quiser falar, tem que no mínimo procurar pessoas legais para seguir.

Diferente de outras redes sociais, aqui a base são os indivíduos e não os grupos, por isso é mais difícil chegar perto de uma roda de pessoas conversando (ou comunidade, ou fórum, ou sala de bate-papo, ou canal irc) e tentar se enturmar. Na verdade o foco é o que as pessoas tem a dizer e o que as pessoas querem ouvir. É mais provável alguém ter em sua rede social preferida (orkut, facebook, ou até msn messenger) alguém que está lá porque você simplesmente conhece , mas que não tenha muito assunto em comum com você.

Outro fator sui generis são as relações unidirecionais que o Twitter permite. Ser seguidor é diferente de ser amigo. Ninguém é obrigado a seguir quem o segue ou vice-versa. Esse modelo, mais um vez, favorece indivíduos populares, ou que produzem mais conteúdo interessante, em detrimento às famosas panelinhas.

Não funciona como uma comunicação entre pares (peer-to-peer) (ex: uma conversa por telefone), nem uma difusão em massa (broadcast) centralizado (ex:estação de rádio). Qualquer um pode ser igual uma emissora de rádio ou tv, transmitindo informação para quem quiser ouvir, desde que haja audiência. É um sistema mais complexo do que estamos acostumados.

Além de tudo isso, o limite de 140 caracteres mais o dinamismo das timelines dificulta perder tempo em flamewars ou coisa que o valha em fóruns e comunidades. No twitter, os assuntos ficam velhos em segundos e os trend topics nascem e somem em tempo real (lembrem-se do #chupa). E uma conversa mais imediata e promíscua do que estamos acostumados. Ainda gostamos de todo aquele [W:overhead] em nossos protocolos humanos.

Afinal, é dificil ser direto como o Franco.

Sobre Diego Ruggeri

Hanc marginis exiguitas non caperet


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Comentários por Facebook:

COMENTÁRIOS

  1. Com certeza, concordo com boa parte…mas o que esta ficando meio revoltante são as ‘sub-celebridades’ querendo dominar o Twitter, a vantagem é: Não gostou? Unfollow. Simples assim.

  2. Will disse:

    Boa Diego!
    Cara, sou fã dos teus posts, falou muito bem!
    Twitter é algo muito interessante, e eu gosto muito exatamente por essa coisa de “sigo quem quero, siga-me quem quer”. É uma ferramenta que, a grosso modo, classifico como uma rede de “propaganda pessoal”. Faça sua propaganda, se for boa, dá audiência.

  3. Pingback: Twibbon « :: Que Nerd ::

  4. Nessa disse:

    Eu também sou fã dos seus posts!
    De fato, a unidirecionalidade do Twitter faz com que seja seguido quem tenha MESMO o que falar.
    “Um estudo da Universidade de Harvard concluiu que apenas 10% dos usuários produzem 90% do conteúdo.”
    É dominado! Mas ai é que está o lance: Faça sua propaganda, se for boa, dá audiência.
    ^^

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