Experimentos com cachorros. E suas respectivas cabeças.

Olá Nerds ;D

Devido inúmeros e intensivos blocos teóricos de fisiologia humana, passei por um período de alienação de assuntos quenerdianos. Ao saber que mudaram o layout, só pra sacanear resolvi escrever pra aparecer de novo no quenerd. XP

Mentira.

Um bom filho a casa torna. Enfim, porque a fisiologia é emocionante.

Como já diziam nossos professores de história, em épocas de segunda guerra mundial, a corrida por avanços, invenções e descobertas científicas era essencial para superar as expectativas do país adversário. Para a medicina, tais avanços repercutem (e muito) incessantemente.

O frenesi da guerra fez até com que confeccionassem uma bomba atômica.

O frenesi da guerra fez até com que confeccionassem uma bomba atômica.

Os experimentos mais loucos (sendo muitos deles, cruéis) foram documentados e utilizados para o desenvolvimento de estudos, técnicas e equipamentos da área de saúde (que atualmente é escrita sem acento. Não sei como escrever saúde sem acento, pois me policiei a vida inteira para não esquecer o acento da saúde, que agora se tornou tão fundamental… sem acento, a saúde fica esquisita. Enfim, isso será uma outra discussão… Quem se importa com as tais novas regras?). Desde as cobaias humanas do nazismo, submetidas aos experimentos mais do que absurdos – testes de resistência para mensurar o limite existente entre a vida e a morte -, até os vídeos do médico russo S. S. Bryukhonenko (Nem me pergunte o que são esses dois ésses) em seu super laboratório.

Depois de uma breve explicação in english para russos, e além das simpáticas laboratoristas, Bryukhonenko apresenta seus experimentos inacreditáveis para a época.

Repare nas pinças ao redor.

Repare nas pinças ao redor.

Fake? Não sei. A época bem podia justificar tal prática, porém nestes vídeos se encontram os primórdios do desenvolvimento da circulação extracorpórea bem sucedida , utilizada hoje como o principal recurso para grandes cirurgias cardíacas.

Esquema de circulação extracorpórea

Esquema de circulação extracorpórea

Bryukhonenko , no vídeo, apresenta:

# Um coração batendo fora do organismo, sendo irrigado com sangue constantemente oxigenado. Repare que a laboratorista insere mais sangue nesse trajeto circulatório, utilizando uma serigona, aumentando o que chamamos de volemia (que significa volume sanguíneo). Assim, o coração se vê mais sobrecarregado, batendo num ritmo frenético para conseguir bombear tamanha quantidade de sangue.

highlander

Seria essa a solução dos problemas desse cara?

# Manutenção da CABEÇA de um CACHORRO VIVA por meio de uma bomba similar ao coração, que conecta os principais vasos a uma rede artificial de condutos e bombas, que transportam sangue com oxigênio e nutrientes. Repare que, ao aplicar estímulos ao que resta do cachorro, a cabeça supostamente viva demonstra respostas reflexas (que independem da vontade, iguais aos nossos reflexos) aos estímulos. A irritação provocada pelo ácido, pelo barulho do martelo e pela luz faz com que a CABEÇA se MOVIMENTE ESPONTANEAMENTE: movimentos com o focinho, olhos, orelhas. Highlander ficaria muito feliz com isso.

#No segundo vídeo, outro experimento: A extração de todo o sangue do animal, deprimindo seu organismo até a morte (note o aparelho apontando a cessação dos movimentos cardíacos, além da ausência de movimentos respiratórios). Após um minuto “morto”, o sangue é devolvido ao animal, que “volta” a viver. Recupera-se, aparentemente sem seqüelas. =O

Sei lá, fico pensando. Seria estar vivo e não estar ao mesmo tempo. Os reflexos estão preservados, mas, e o resto? Como se manter separado do corpo? Será que nosso “eu” estaria apenas concentrado em nosso encéfalo? Highlander responderia essa dúvida?

Pensamento tão macabro quanto o preto e branco do videozinho.

Quem sabe um dia não estaremos, assim, como:

Dr. Pretorius, do desenho "O Máscara"

Dr. Pretorius, do desenho "O Máscara"

Agradecimentos – Ao Professor Miguel, fisiologista da Unicamp, e seu Alter-ego Chico, que fazem milagres na aula de fisiologia.

Sobre Vanessa

No auge da ruptura das barreiras nerd - para vosso benefício ou desgraça - eis que o blog foi aberto às idéias de um ser feminino, desprovido de pensamento lógico, sem noções de programação, e bem pouca de matemática. Prefere as ciências humanas, apesar de ultimamente estudar muita bioquímica e biologia molecular (¬¬’), pois está se graduando em enfermagem. Histórias à parte, todo mundo tem um lado quenerd, pois, ser nerd não é apenas programar, viver numa bolha, se enforcar com as calças... Nerd se tornou um estado de espírito (Espírito Santo é um estado, espírito nerd também? Chora depois dessa). Pois é, esse estado anda aflorado ultimamente. E perdoem-me pelo ‘se enforcar com as calças’. A moda anda favorecendo os nerds ultimamente.


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Comentários por Facebook:

COMENTÁRIOS

  1. ph1LL disse:

    Um tanto quanto cruel isso aí… mas pensando nos dias atuais acho que a máxima de Maquiavel se aplica!

    O segundo filme do Arquivo-X trata um pouco desse tema: cachorros, cabeças, e afins…. apesar de não ter gostado muito, é no mínimo interessante!

    Gostei do Post!

  2. Sir Will disse:

    :O
    Caramba, que macabro isso! Será que um dia vai ter como viver só com a cabeça? Conseguindo mapear os impulsos elétricos do cérebro e unindo a isto poderemos chegar a construir um andróide, tipo Robocop.
    Que demais!

  3. Batista disse:

    Esses dias vi um artigo sobre a liberação de documentos nazistas com informações sobre experimentos em humanos. Parece que eles fizeram todo tipo de coisa, como experimentos com veneno, gás mostarda, bombas incendiárias, esterilização, malária e congelamento. Não duvido que não tenham feito algo semelhante ao que fizeram com esses cachorros — em humanos.

    É um assunto bem delicado… É certo que qualquer dado que possa ajudar a salvar vidas no futuro é valioso, mas os métodos grotescos que eles usavam e o pressuposto que eles estavam estudando raças “inferiores” quase invalidam o valor científico dos dados.

  4. Sir Will disse:

    @Batista e @ph1LL

    É de se concordar. Destruir vidas a fim de estudos, não é algo se faça.
    Isso se aplica também a ratos de laboratório. A própria Vanessa me falou de um professor dela que teve que matar vários ratos para elaborar uma tese.

  5. Chico disse:

    Caramba, que maravilha que é a internet né.. to aqui procurando textos sobre experimentos em fisiologia quando achei este site. Até aí nada demais…

    Vou lendo, lendo.. e quando chego no final.. tcharaaam! Eis que me encontro citado aqui! Hahahah
    Que legal =D

    Só não sei quem é a Vanessa que assinou o texto =l
    Mas vou tentar descobrir! De qualquer forma, muito bom o texto, parabéns =)
    E obrigado pela citação, minha e do Miguel [aliás, pq nós fazemos milagres nas aulas?! haha] =D

  6. Vanessa disse:

    Assunto bem polêmico, né? Assim como o Batista disse, ainda existem muitos fatos “obscuros” em relação ao nazismo. E de fato, estudos em que se utilizam animais são comuns, como muitos trabalhos para doutorado e mestrado. Hoje em dia se tenta tratar do assunto com mais ética. Inclusive na aula de fisiologia de hoje o professor disse que o comitê de ética para trabalhos científicos delimita uma quantidade de animais que um pesquisador pode “matar”.
    Ah, que legal, o Chico caiu aqui de pára-quedas! O milagre das aulas está no fato de elas serem muito interessantes, e divertidas hoho…
    Pessoal, obrigada pelos comentários!

  7. Francisco disse:

    Se as experiencias são para melhorar a vida do homem, porque não usar o próprio homem, ao envés dos pobres animais.

  8. Francisco disse:

    Toda estrutura foi criada para mente o cérebro funcionando e aprendendo.

  9. Francisco disse:

    Seres vivos fonte de proteína não importa a espécie.

  10. Francisco disse:

    Seres vivos, fonte de proteína não importa a espécie.

  11. Francisco disse:

    Da formiga a balaia, temos a mesma importância, se você pensa diferente, talvez seja inferior.

  12. Francisco disse:

    Da formiga a baleia, temos a mesma importância, se você pensa diferente, talvez seja inferior.

  13. Francisco disse:

    Quem tem o melhor sabor, morre primeiro!

  14. Vanessa disse:

    Oras colega Francisco!

    Quando se trata de cobaias, sabe-se que essa é ainda uma realidade muito comum para a pesquisa. Conheço um pesquisador com algumas propostas para mudar isso – porém é dificil substituir testes com animais, pois estes são mais eficazes, infelizmente. Inclusive, as cobaias humanas já existiram (como os judeus no periodo nazista), e ainda existem – legal ou ilegalmente, assunto discutido no filme “o jardineiro fiel”. Não dizemos aqui se concordamos ou discordamos, o conteúdo do texto está imparcial. Tratamos apenas do que aconteceu, tem acontecido e pode acontecer. Eu particularmente não gosto de ver cachorros sendo usados para teste, prefiro que as cabeças se mantenham em seus respectivos corpos.

  15. Vanessa disse:

    A propósito: Esperamos que os comitês de ética em pesquisa cuidem para que os pesquisadores que utilizam cobaias respeitem os limites de realização dos testes, a fim de assegurar o respeito às várias formas de vida. Acredito que Bryukhonenko hoje em dia teria alguns probleminhas com o comitê de ética.

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