[Este artigo contém termos não apropriados para o ambiente de trabalho]
Existem ferramentas, como o Google Analytics, que mostram os termos de pesquisa que direcionaram navegantes até determinado site. Por exemplo, se você leitor pesquisa pelo termo Que Nerd e acaba caindo em nosso site, o Google Analytics apontará que um visitante chegou ao site pesquisando pelo termo Que Nerd.
No meio de diversas pesquisas, talvez milhares, termos bizarros não são incomuns. Alguns exemplos são: “como vender privadas para chineses?”, “como é a emorroida”(sic) e “você mataria sua mãe para sobreviver?”.
Considerando que grande parte dos usuários de internet não bate muito bem, pesquisas assim são esperadas. Mas nada prepara o webmaster puro e inocente para coisas bem mais pesadas, como:
“ver videos reais de execuções brutais”(sic),
“meninas com enema”,
“tao novinha e ja sem roupá“(sic),
“filme estripe zumbi“(sic),
“charlie sheen guinea pig snuff“,
e o não menos perturbador “sexo com animais ao vivo movies”.
Fiquei completamente chocado ao ver tais termos em nossas pesquisas, já que o Que Nerd é um site de família, e apesar de abordarmos alguns assuntos controversos, nossos editores respeitam profundamente mulheres, crianças, animais, zumbis e o ator Charlie Sheen.

Ator Charlie Sheen, visivelmente perturbado.
Depois do susto, enquanto chorava em um canto escuro do meu quarto, em posição fetal, abraçado ao meu travesseiro de espuma da NASA, me recordei de um caso ocorrido há alguns anos, o Escândalo dos dados de busca da AOL.
Em Quatro de Agosto de 2006 a divisão de pesquisa da AOL liberou em domínio publico um arquivo de texto contendo mais de 20 milhões de termos buscados em um período de 3 meses, englobando aproximadamente 650 mil assinantes.
Apesar dos usuários listados serem identificados apenas por números aleatórios, o estagiário pesquisador que disponibilizou os dados não contou que muitas pessoas procuram pelo próprio nome, nomes de amigos, familiares, endereços e até seus números de identidade, o que é mais que suficiente pra identificar os usuários teoricamente anônimos.
A AOL percebeu a mancada, e removeu os dados pouco tempo depois. Obviamente isso não foi o suficiente, já que o arquivo se espalhou por inúmeros websites, acabando por gerar diversos processos contra a empresa pela violação da privacidade dos usuários.
Em uma percorrida superficial pela base de dados, encontramos pesquisas comuns, como pessoas procurando por hotéis, restaurantes, letras de música, Britney Spears, entre outras. Mas uma análise um pouco mais profunda esbarra em coisas realmente constrangedoras, como o caso do usuário nº 843043, que buscou, entre pesquisas sobre restaurantes mexicanos, por “coceira na região anal e vaginal”, “quem pega pus anal?”, ou do usuário nº 2281868, que realiza diversas procuras por bandas de jazz, além de buscar sites com “idosas que se parecem com Hillary Clinton nuas” e “sexo com enfermeiras russas idosas”.
Nesse meio, um usuário que ganhou relativa notoriedade foi o Usuário nº 927:
Em um período de 90 dias, suas pesquisas iniciais foram por “tempo de cura de pernas quebradas”. Ok, quem nunca teve essa curiosidade?
Pouco tempo depois o usuário procurou por “molde de corpo humano” “mofo humano”. E depois de uma rápida visita em sites de bestialidade, nosso herói fez uma extensa pesquisa por espécies de flores, seguindo para tortura, travestis, ultra-som de bebês de 4 meses do sexo feminino e comidas com poucos carboidratos.
Sua empreitada passa por diversos animes, por “pornografia de A Bela e a Fera”, tentáculos, Edward Mãos-de-Tesoura, mais sexo com travestis, e diversos fetiches. E só estou mencionando a parte mais leve.

Imagem fofinha para aliviar sua mente do horror.
Os leitores que ainda não aboliram a internet totalmente e queimaram seus modems, devem estar se perguntando: Quem seria o usuário nº 927? Aquele cara no ônibus, com olhar psicopata, que te encara a viagem inteira? Uma dona-de-casa frustrada sexualmente? Um homem de negócios, pai de família, dono de uma multinacional? Um garoto que ainda não descobriu sua orientação sexual? Um psicólogo buscando material para sua tese sobre desvios de comportamento? Seria esse usuário todas essas pessoas, que utilizaram o computador de uma LAN House? Poderia o usuário nº 927 ser você, caro leitor?
Até agora, sua identidade nunca foi revelada. Mas desvendar essa incógnita não seria impossível.
É fato que tudo o que você faz na internet está gravado de um modo. Suas pesquisas, seus scraps, seus tweets, o que você compra, o que você mais gosta, seus e-mails, os sites que você visita, seus documentos, as baladas que você frequenta, seus hobbies, seus amigos, sua família, seus cupons fiscais eletrônicos, quanto dinheiro você tem no banco, o filme que você pretende ver no cinema, seu trabalho, seus maiores segredos. Está tudo lá. Aliás, aqui. E todos esses dados, se compilados, formam uma imagem muito nítida da sua vida real.
Empresas podem te empurrar produtos, de acordo com seus gostos? Já fazem isso. Essas informações podem ser utilizadas contra você, por exemplo, por meio da Engenharia Social? Sim. Podem destruir sua reputação? Sim. Você pode ser processado por procurar arquivos mp3 para download? Em alguns países, sim. Você pode ser indiciado criminalmente por procurar, como o usuário AOL nº 17556639, por “como matar sua mulher” e “acidentes de carro”, ou por procurar, como inúmeros usuários, por “melhores lugares para se comprar extasy”? Não tenho certeza, mas seria uma forte evidência contra sua pessoa em um tribunal. As possibilidades são infinitas.
Este artigo não é um apelo para destruirmos nossos computadores. Mas creio que com o uso cada vez maior da informática, o crescimento das redes sociais, o uso cada vez maior do Gmail, dos mecanismos de busca, a vinda do Cloud Computing, e a provável dominação mundial pelo Google, um mínimo de cautela é necessária para desfrutarmos do maravilhoso mundo da internet, já que, de certo modo, uma parte de você é o que você procura.

Você pode checar o log de pesquisas do Usuário nº 927 aqui.
Os dados de pesquisa da AOL ainda podem ser baixados em qualquer site de torrents, ou mirrors como este.
Fontes: The Consumerist, plentyoffish.com e TechCrunch.
Edição: Traduzi a palavra “human mold” do log do usuário 927 como “molde de corpo humano”, mas a leitora Ana apontou que a tradução mais correta seria “mofo humano”.
Não achei que seria possível, mas com essa simples mudança na tradução o log conseguiu ficar ainda mais bizarro.











Que doideira isso… Um bocado sinistro, fato, porém não é de hoje que tomo cuidado para não colocar coisas de mais sobre mim na internet, e talvez o único erro que cometo (ou acho que cometo) e usar a mesma senha para tudo. TUDO mesmo.
Enfim, acho que as pesquisas refletem o que a pessoa é mesmo, e com essas pesquisas absurdas, ou “curiosas”, não é de se esperar que algum desses usuários foram/são/é um assassino ou pedófilo da vida.
Nota para a cara de WFT (visivelmente perturbado), do ator Charlie Sheen AHuahuahau
Sem Comentários (Apesar de que isso que acabei de falar soe um tanto quanto paradoxal).Este artigo está totalmente excelente.
Dados é o principal fundamento da Engenharia Social…realmente precisamos ver que quanto mais dados disponibilizamos, mais vulneráveis nós ficamos.
Grande Artigo Makita. Continue sempre assim !
Estou muito perturbado, não poderei comentar nada…
Gostei mto do artigo e do jeito que foi escrito muito bom nerd, ainda não conhecia isso das pesquisas
E as nuvens me dão medo, estaremos sujeitos a espionagem intensa(Se já nao estamos).
Engraçado, eu falava disso com o Paulo esses dias., que mesmo ele não fornecendo as informações dele à internet, as informações são pegas “à força”, de forma que achamos natural.
A internet conseguiu invadir nossa privacidade de uma forma discreta, quase imperceptível. Quando conseguimos se tocar disso, já era tarde, e a dependência dos serviços que ela fornece, para muitos, tornou-se essencial.
Os nossos próprios artigos, comentários, etc, nesse blog e em todos os outros, já revelam muito do que somos. Mais do que esperamos.
Artigo excelente esse, eu não sabia dessa história dos dados da AOL.
@Lennon
Você também tem um blog, um twitter, e-mail, etc. Imagine que não revela seus dados, mas acessa seu e-mail e depois busca coisas no google, com mesmo IP, já dá pra ligar você à busca. Isso revela mais que o necessário para, por exemplo, se seus dados vazarem, descobrirmos se você gosta de ver mulheres velhas e pelancudas nuas ou que tem vontade imensa de ter uma gazelinha rosa de pelúcia.
Eu estava muito perturbado com esse texto até ver aquele urso panda no cavalinho, nossa que gracinha. Mas realmente texto muito bom e querendo ou não o Sr. Google já sabe tudo sobre nós, o segundo passo dele é fazermos tudo o que ele quer.
Mas eu num conhecia esse usuário número 927, mas tenho inúmeras suspeitas de quem pode ser.
Mto interessante, e bizarro, mesmo… imagino oq nao pensam de mim rs
Só um comment, meio solto:
human mold é “MOFO”… ele deve ter tido algum problema de fungo na pele… rs ECA!
Noooss… primeiro post longo que eu consigo ler hoje. Ah se todo blogueiro escrevesse bem que nem o Batista hein.
Vou fuçar o log do 927 agora =D
Nao se preocupem o sistema echelon ja faz isso tudo e vc nen sabe, se naum deu merda ate agora ralaxa e goza da internet.
@jack
Você é o usuário 927 ????
Nossa!!
Muito bom, adorei dificil acreditar.
WTF!
Hoje em dia ninguém tem mais privacidade para fazer nada.
Artigo Excelente, um dos melhores que eu já li aqui no QueNerd.
Parabéns pelo ótimo artigo!
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