Vocês precisam de Mundo de Beakman

Tem crianças que me assustam. Não sei se é porque (só) agora noto isso tão continuamente.

Não queria afirmar isso. Mas, para mim a infância-nostalgia de nossos pais, tios e avós fazem um pouco mais de sentido.

Somos de uma geração-teste. Foi a gente que começou a fazer com que o mercado dos games realmente se tornasse mercado. Foi a gente que ganhou os primeiros Ataris, Nintendos, Mega Drives, Playstations, e vibrou muito com isso. Foi a gente que descobriu que pra fazer a fita funcionar a solução era assoprar, que meia-lua-pra-frente-soco era quase que milagroso. Era a gente que imaginava que pra pular, alem de apertar o B, era pra erguer o controle junto (vai dizer que o seu controle também não se mexia conforme o personagem na tela? Às vezes a emoção era tanta que a gente tinha até que ficar de pé pra jogar!). Foi a gente que inventou a diversão com os amigos na frente da televisão, mais dois controles e algumas fitas. Ah, quem perde passa o controle.

o controle acompanha...

o controle acompanha...

Foi a gente que passou a se sentar mais assiduamente na frente do (antigo trambolhão) computador. A gente que começou a usar a Internet (discada… Chiado…Chiado…Barulhinho de conexão… piiiii,piiipiiiiipiiiii… Mais barulho. E “voalá”.) e utilizá-la com fins muito curiosos. A gente que começou a pesquisar os primeiros trabalhos no Google, copiar, colar e consecutivamente imprimir naquela folha branquinha, sem rasura, sem garrancho, sem corretivo. Lindo! Foi a gente que descobriu que dá pra ter amigo sem nunca ter ouvido a voz, vendo vez ou outra uma foto. A gente até conseguiu arranjar namorado e namorada assim! Pra gente, todo mundo tinha seu apelido, digo, nick. Enfim, passou a se compartilhar TUDO.

É, a gente cresceu assim, e tal fato gerou muito “desconforto” às pessoas, que passaram a se preocupar com o que haveria de ser o futuro de tal geração. Passamos a ficar menos tempo na rua, passamos a mudar o jeito de se brincar, estudar, conversar. Até vocabulários esdrúxulos a gente inventou, nEaH mIgUxÔ?

Para uns, foi bom, para outros, nem tanto. Os que melhor se saíram foram os que souberam aproveitar. (Entenda o aproveitar da maneira que quiser)

A mudança foi dramática para quem nos assistiu. Afinal, toda mudança gera uma crise. Mas Agora as coisas caminham mais assustadoras que o esperado. Tenho me deparado com crianças que não são crianças. Ou melhor: Crianças que não querem mais ser crianças. Não sei se posso falar assim, pode parecer muito incisivo. Primeiro, elas mudaram na aparência. Provavelmente você já deve ter notado que elas estão pintando o cabelo ou não usam mais moletom. Meninas, na minha época, usavam roupa da turma da Mônica. Hoje preferem parecer a fulana de tal do Ráiguisculmiusical, usar bota de plataforma e sombra azul.maquiagem

Não me preocuparia a ponto de escrever um post se o problema estacionasse na aparência, afinal o Michael Jackson morreu e temos muito que publicar sobre ele nos meios de comunicação, certo?

Me parece que as crianças estão perdendo seu conteúdo também. A ingenuidade, a sinceridade e a criatividade hoje parecem estar minguando. Sua real preocupação não é mais brincar; preocupam-se com coisas supérfluas, de fases mais avançadas, como na adolescência. Crianças conformadas, conformistas, que já não escrevem mais cartas para o presidente ou para o papai Noel, já não estão mais preocupadas com a Amazônia pegando fogo, as fumaças das fábricas ou com a água do mundo que vai acabar. Elas preferem ir ao shopping fazer sabe-se-lá-o-quê, ou colocar mais fotos no seu perfil do Orkut.

Onde está o lado lúdico? O lado tímido?  Crianças estão super-articuladas, tal qual Maísa. Só não imaginam o quanto perdem com tudo isso. Espero que caiam na real. E que entendam que a infância é uma fase importantíssima para definirmos o decorrer de toda a nossa vida, e que assim não se tornem adultos frustrados mais tarde. Parabéns às crianças que ainda gostam de ser crianças.

Por fim, onde está o Mundo de Beakman? Gostaria que as crianças de agora pudessem assisti-lo e ir bem nas provas de ciências.

Volta pra TV aberta...

Volta pra TV aberta...

Sobre Vanessa

No auge da ruptura das barreiras nerd - para vosso benefício ou desgraça - eis que o blog foi aberto às idéias de um ser feminino, desprovido de pensamento lógico, sem noções de programação, e bem pouca de matemática. Prefere as ciências humanas, apesar de ultimamente estudar muita bioquímica e biologia molecular (¬¬’), pois está se graduando em enfermagem. Histórias à parte, todo mundo tem um lado quenerd, pois, ser nerd não é apenas programar, viver numa bolha, se enforcar com as calças... Nerd se tornou um estado de espírito (Espírito Santo é um estado, espírito nerd também? Chora depois dessa). Pois é, esse estado anda aflorado ultimamente. E perdoem-me pelo ‘se enforcar com as calças’. A moda anda favorecendo os nerds ultimamente.


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Comentários por Facebook:

COMENTÁRIOS

  1. Heylouiz disse:

    Eu costumo discutir isso com minha namorada DIRETO, as crianças de agora não viveram como nós(e continuarão sem viver).
    A Susy tem um primo que recentemente ganhou um computador, e alguns tempo depois colocou Internê, resultado? Ele criou um site de “hackio”, vive o dia inteiro na internet administrando esse site. Ele deve ter uns 8 ou 9 anos, é MUITO cedo pra isso! Ele devia estar brincando, aproveitando essa época da vida…
    Falando das roupas, as crianças de hoje em dia estão muito diferentes MESMO, basta ir na “Marisa” e ver as roupas que criancinhas estão usando, parecem de adultos.
    Bem, sou muito feliz por ter aproveitado minha infância, tenho boas lembranças de muita coisa que fiz, que brinquei, me sujei e me diverti :D
    Agora estou aqui com o notebook na frente da televisão, assistindo sabe o que? Desenhos na Nickelodeon :D

    Volta Beakman!

  2. Xilon disse:

    Eu meio que na contra-mão, ainda continuo bem criança. Lembro que brinquei até os 14 15 anos de esconde-esconde ( lógico que não com tanta alegria como uma criança menor ), gostava de assistir Tom e Jerry, brincava com meus bonequinhos e inventava histórias mirabolantes dignas de hollywood auhiuHAiuhIua adorava montar milhões de coisas com lego……..hoje realmente as crianças estão crescendo precocemente em relação à mentalidade……

  3. diegoR2 disse:

    Concordo com tudo isso, principalmente quando diz que a infância é uma fase importante que se não for aproveitada vai gerar adultos frustados. Essa infância “acelerada” é como construir a casa sobre a areia, ou o porquinho que constrói a casa de palha.
    Será que as crianças ainda gostam dessas histórias?

  4. Darkshines disse:

    Quem nunca ouviu os pais e tios falarem: “Bom era na nossa época. Vocês passam o dia jogando atari dentro de casa”.
    E apesar de achar que realmente tive um infância melhor que a dessa galera de hoje, não acho que podemos afirmar que a nossa época foi melhor que a atual. Até porque nem todas as crianças de hoje seguem esse modelo esteriotipado emo/viciado em internet que este texto passa.

  5. yanmar disse:

    tenho pensado mt sobre isso ultimamente
    essas “crianças”de hj sequer sáo crianças são mais treinados pelos pais como robôs para sair da aba deles o mais rápido possível
    acho q essa história de crianças crescendo cedo demais começou com a enfadonha “bundalização” da mpb no meio dos anos 90

  6. Will disse:

    Não sei bem o que dizer.
    Mais ou menos como o Darkshines disse, nossos pais diziam que a infancia deles foi melhor que a nossa. Nós dizemos que nossa infancia é melhor que a atual. Talvez as crianças de hoje venham a dizer isso num futuro de seus filhos.
    Por outro lado concordo num ponto. A minha infancia me fez ser criativo, inventar brinquedos com pedras e sobras de madeira. Me fez ser ativo, correr, pular, me machucar. Hoje, todo brinquedo vem pronto pra ser usado, as crianças são mais obesas do que nunca e não praticam exercício.
    Muito difícil de dizer o será dessa geração, que já se estressa com celular desde criança.

  7. Érico disse:

    creio que nunca mais existira uma infancia como a nossa..
    com programas de TV educativos e excelente, como o mundo de beakman, castelo ratibum, x-tudo, entre outros. Até msm os trapalhões era mto mais legal do que a ‘turma do Didi’ de hoje. Desde programas de tv, passando por video games, e até brinquedos. Hoje raramente vemos a cena de crianças no chão da sala com diversos brinquedos e lego e passando pela mente mirabolante dela milhares de ideias para montar um brinquedo novo com tanta tralha (sim isso acontecia comigo), video game e jogos eletronicos era regulado pela minha mãe, e hoje vejo pelo meu primo de 10 anos com seu ps2 jogando gta san andreas…sendo que nessa idade eu tinha meu snes e me divertia com super mario. Ta certo que super mario não tem comparação com gta, mas creio que gta não é um jogo para uma criança jogar, por conteudos improprio. E vemos isso tbm nos programas de tv, como a turma do didi, que tudo e todas as piadas é relacionada a pornografia, e antes era tudo inocente. Por sorte da minoria temos ainda programas legals como antigamente, mas somente nas tvs pagas… e tbm em midias na internet, a qual, quando eu acho faço questão de baixar e gravar e guardar para meus futuros filhos.

  8. lucio disse:

    Parabens pelo texto! Clareza, norte, e principalmente, sem medo de escrever! continue…

  9. Júlia disse:

    Adorei o texto! Parece que tá difícil achar alguém que concorde com o que eu penso… mas vejo que não sou só eu que lamento a perda da criatividade e da inocência da infância.
    Parabéns, mesmo :)

  10. Nessa disse:

    Graças a Deus, nem todas crianças seguem este padrão. Ainda vejo sim crianças que brincam, seja em casa, seja em turma. O que realmente preocupa é a parcela delas que está caindo no tal estereótipo. Parcela que está aumentando…
    Pessoal, obrigada pelas opiniões e criticas. Nerdeiem, nerdeiem, nerdeiem, pra que assim a gte possa divulgar coisas que tenham cada vez mais a cara dos nossos leitores e colaboradores!

  11. diegoR2 disse:

    Engraçado citarem tanto sobre brincar com Lego. Esses dias lembrei de uma frase do filme “uma linda mulher” (acreditem) em que o protagonista reflete sobre sua vida e conclui que seu trabalho não produzia nada, não construia nada, já que apenas comprava e vendia empresas. Ele diz “quando eu era criança eu brincava com blocos de montar” (lego) enquanto seu colega responde “eu gostava de jogar Monopoly” (banco imobiliário).
    Também tem um texto do Umberto Eco (infelizmente não lembro a referência) que defende que brincar com armas de brinquedo é mais saudável para as crianças e resulta em menos adultos violentos do que jogos que desenvolvem apenas um raciocínio lógico e frio (ele cita o Meccano).

  12. Fábio disse:

    Parabéns pelo texto, isto está acontecendo mesmo as crianças deixando de serem… crianças, estão se tornando apenas mais um número do mercado, são apenas consumidores, suas roupas são iguais as dos adultos, seus brinquedos também, vide os games, é uma pena que isso ocorra, as crianças precisam descobrir o prazer de ser crianças, cair e levantar de verdade, jogar bola de verdade, pular de verdade, experimentar de verdade as coisas, ter experiências verdadeiras, porque depois de adultos a vida cobrará um preço alto pela imaturidade, falta de estrutura emocional e criativadade.
    Tento incentivar meu filho com brincadeiras mais lúdicas, criar histórias etc.
    E o Mundo de Beakman é genial assistia muito.
    Mais uma vez parabéns pelo texto.
    Fábio

  13. EMN disse:

    Nossa (snif snif) estou com os olhos rasos. Aplaudindo de pé! uehehehehehe
    Pensei que não existisse mais pessoas que pensasem assim, mas vi que me enganei…..kkkkkk
    Ótimo texto, concordo 100%
    Continue assim!

  14. Nilson disse:

    Não sei a sua idade.Tenho 47,vivi tudo isto e um pouco mais tive uma infdância maravilhosa completa eu diria.Felizmente meu filho não é bitolado(lembra desse gíria)em video games.Coversamos muito sobre o assunto infância.

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